Nos estágios mais tardios, o paciente que não for tratado evolui para sequelas irreversíveis como amputação de extremidades e problemas neurológicos. Essas sequelas foram motivo de estigmas e segregação dos pacientes até o século 20, o que se mostrou ser cruel e ineficaz.Ainda no século 19, o médico norueguês Gerhard Armauer Hansen, pesquisador de saúde pública, conseguiu identificar o bacilo causador da hanseníase, até então chamada de lepra, em tom pejorativo. Por conta do sobrenome do pesquisador a doença passou a ser chamada “hanseníase” e o tratamento dado aos pacientes se modificou de maneira importante. Passados quase 150 anos, profissionais da saúde ainda lutam promovendo campanhas de esclarecimento e ações na mídia para desmitificar a hanseníase. O controle da doença não ocorre do modo como se defendia no passado (isolando e segregando pessoas). Sua identificação precoce, assim como o tratamento da doença instalada, evita danos permanentes aos nervos e membros, assim como a disseminação da doença para outras pessoas.A Sociedade Brasileira de Dermatologia - Secção RS alerta para importância do diagnóstico precoce e tratamento da Hanseníase:
A hanseníase ainda se mostra uma doença preocupante no Brasil. Segundo a OMS, o Brasil ocupa o segundo lugar entre as nações com o maior número de casos, atrás apenas da Índia. Em 2019, antes da pandemia da Covid-19, foram notificados, de acordo com o Boletim Epidemiológico sobre a Hanseníase do Ministério da Saúde 27.864 novos casos de Hanseníase, equivalente a 93% de todos os casos da região das Américas e 13,7% dos casos globais registrados no ano. Em 2022, foram notificados 15.155 casos novos de hanseníase. Essa queda pode ser explicada pela pandemia de COVID 19, que dificultou o acesso aos serviços médicos e, consequentemente, ao diagnóstico desse tipo de doença. É previsto que nos próximos anos ocorra um aumento nas notificações de casos, principalmente de pacientes com doença mais avançada.
A presidente da SBD-RS, Rosemarie Mazzuco, destaca que o Sistema único de Saúde (SUS) disponibiliza o tratamento e o acompanhamento da doença de forma gratuita. O Dia Mundial de Combate e Prevenção da Hanseníase é lembrado no último domingo do mês de janeiro, e a campanha nacional da Sociedade Brasileira de Dermatologia está no ar em: https://www.sbd.org.br/janeiroroxo/ Acesse o site e as redes sociais da SBD para mais detalhes: @dermatologiars @dermatologiasbd