O depoimento da arquiteta Daniela Tunes, na CPI da Avenida Fernando Osório, foi fundamental para que o relator, vereador Marcus Cunha (PDT) considere que "o desastre" em que se transformou a revitalização daquele espaço, seja "o resultado de um conjunto de elementos, como defeitos no projeto e a péssima mão-de-obra do consórcio". Daniela integra a equipe da Unidade Gerenciadora de Projetos, UGP, da Prefeitura, e, conforme explicou, ajudou o colega responsável pela fiscalização da obra de pavimentação da avenida. Mas, deixou claro, diversas vezes, não ser responsável pelo projeto de pavimentação, mas pelo projeto urbanístico.

[caption id="attachment_19855" align="alignleft" width="300"]ARQUITETA Daniela Tunes ouvida na CPI Foto/Assessoria Câmara ARQUITETA Daniela Tunes ouvida na CPI
Foto/Assessoria Câmara[/caption]

"Especialmente na área em frente à Faculdade Anhanguera, o projeto deveria ter levado em conta a questão da pedra lisa, do grande tráfego de veículos pesados e da frenagem dos ônibus", afirmou o relator, salientando que, depois da licitação, as empresas consorciadas não deveriam ter aceitado fazer a obra se estava com problemas.

Questionada sobre qual material ela usaria para pavimentar o trecho em frente à Faculdade, a arquiteta Daniela Tunes disse que "tiraria o asfalto, que não para na pedra e colocaria concreto, ou deixaria mesmo a pedra".

"A própria arquiteta disse que acharia adequado colocar concreto, o que comprova os defeitos no projeto", salienta Marcus Cunha. Além disso, ela afirmou, ao ser questionada, que a mão-de-obra do consórcio era péssima. Segundo a profissional, não adianta comprar um excelente material se o pedreiro que é contratado para fazer a casa é péssimo.

Por outro lado, a arquiteta também afirmou que, ao ser entregue parcialmente, a obra estava "em perfeitas condições, depois é que os defeitos apareceram."

INIDÔNEOS  -  O vereador Marcus Cunha informou ter encaminhado documento à Prefeitura para que as empresas consorciadas sejam incluídas no Cadastro de Empresas Inidôneas, impossibilitando que possam concorrer  nos processos licitatórios do Poder Público Municipal relativos à mobilidade urbana, para os quais o município receberá  R$ 100 milhões.

Cunha também já conversou diretamente com a secretária de Gestão, Josiane Almeida, a quem pediu que os engenheiros responsáveis pelo projeto da Fernando Osório e a fiscalização da obra, Lélio Brod e Raul Odone, não façam parte das obras de mobilidade urbana de Pelotas. Integrantes da equipe da UGP,  os dois saíram da Unidade assim que as obras foram concluídas.

Mas, o vereador disse ter recebido como resposta da secretária que, depois de terem deixado a UGP, os dois foram contratados pela empresa Incorp Consultoria & Assessoria Ilimitada, que já assinou contrato com a Prefeitura, para elaboração de projetos executivos de reestruturação da mobilidade urbana, orçado em cerca de R$ 1,5 milhão que inclui intervenção arquitetônica, estrutural, pavimentação asfáltica e drenagem em ruas e avenidas da cidade.

"A secretária me disse que poderia conversar com a empresa, mas a decisão é dos seus diretores", explicou o parlamentar.