Pesquisa indica que 84,3% das contratações para o fim de ano ainda não foram concretizadas e mostra otimismo do varejo na retenção de talentos


O fim do ano sempre surge como uma importante janela de entrada ou recolocação no mercado de trabalho. A Pesquisa de Temporários 2026, realizada pela Assessoria Econômica do Sistema Fecomércio-RS entre os dias 18 de agosto e 11 de setembro, mostrou que 54,8% dos empresários abordados manifestaram intenção de contratar trabalhadores para atender ao aumento da demanda de fim de ano, projetando um incremento de 28,4% nas equipes das lojas que utilizarão mão de obra temporária. A pesquisa foi realizada em 8 municípios gaúchos e abordou atividades do comércio que tipicamente tem demanda incremental em virtude das festividades de final de ano. Até o encerramento da coleta dos dados, 84,3% da demanda total por esse tipo de trabalho ainda não havia sido concretizada e 73,8% dos estabelecimentos sequer haviam iniciado as admissões, o que revela que a maior janela de oportunidades do comércio gaúcho está prestes a se abrir. A movimentação de admissões ganha força a partir deste período, com novembro despontando como o mês mais indicado pelos lojistas para o início das atividades dos contratados, citado por 36,4% das empresas, seguido por outubro, mencionado por 27,3%. Em contrapartida, os desligamentos previstos ao fim dos contratos estão concentrados nos meses de janeiro (37,7%) e dezembro (29,6%). O estudo mostra ainda estabilidade no volume total de vagas na comparação com o ano anterior, visto que 52,1% das empresas planejam manter o mesmo contingente de temporários de 2025 e 20,7% preveem ampliar as contratações.

As maiores oportunidades de contratação concentram-se na área de vendas e atendimento comercial, presente em 75,1% das intenções de contratação dos estabelecimentos, seguido pelas funções de caixa e crediário (31,9%) e estoque ou depósito (19,0%). Além disso, em 85,2% dos casos, a seleção é realizada na própria loja. Para preencher as vagas, 44,2% dos estabelecimentos adotam critérios específicos, tendo como exigências mais frequentes a escolaridade, com destaque para o ensino médio completo, a faixa etária de 19 a 25 anos e a experiência prévia na função. Entretanto, é importante destacar que em 55,8% de estabelecimentos que irão contratar não irão fazer nenhum tipo de exigência. Os lojistas apontam que a indisponibilidade de horários por parte dos candidatos, a falta de qualificação e a escassez de interessados continuam sendo os principais obstáculos para o preenchimento das oportunidades.

Além do reforço imediato de renda no encerramento do ano, a contratação temporária se consolida como uma importante ponte para o emprego permanente no Rio Grande do Sul. A pesquisa aponta que 54,8% dos trabalhadores temporários contratados possuem chances reais de efetivação após o encerramento do contrato. "O período do final de ano é muito importante para o comércio. É nesse momento que encontramos o consumidor mais apto e disponível a fazer compras. É uma excelente oportunidade para aquele que está ingressando em uma empresa varejista para mostrar empenho e ter resultado", destaca o presidente do Sistema Fecomércio-RS/Sesc/Senac e IFEP, Luiz Carlos Bohn. 

O levantamento também sondou a percepção dos empresários em relação aos debates regulatórios e trabalhistas em pauta no país, que geram atenção no setor produtivo. Quando questionados sobre o provável fim da escala de trabalho 6x1, 46,0% dos entrevistados responderam que a mudança causaria impactos negativos na condução de seus negócios. De forma análoga, em relação à eventual redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, 47,8% dos estabelecimentos avaliam que a medida traria prejuízos às operações comerciais. 

O estudo completo pode ser acessado aqui.