Com foco na inclusão, iniciativa une geração de renda e fortalecimento comunitário
O Projeto Recicle está completando dois anos de atividades e celebra a marca com a abertura de um novo espaço de trabalho na OTROPORTO. Mais qualificado e equipado, o local amplia as possibilidades de aprendizado e inclusão de alunas e alunos, consolidando a iniciativa como um polo de transformação social e sustentabilidade em Pelotas.

Novo ateliê está localizado no prédio 2 em anexo à OTROPORTO - Foto: Vinícius Peraça
Criado em 2025, o Projeto Recicle - Arte e Upcycling é a frente de capacitação da iniciativa que reúne inclusão e sustentabilidade. A ação oferece oficinas gratuitas para ensinar costura e a técnica de upcycling, que consiste no reaproveitamento de tecidos, a partir de uniformes e . Com turmas renovadas a cada edição, as capacitações acolhem pessoas que buscam aprender uma nova atividade, sem exigir qualquer conhecimento prévio na área, agregando caminhos para geração de renda.
A abertura do novo ateliê, que está localizado no prédio 2 — anexado à sede da OTROPORTO — representa o fortalecimento e a expansão física do projeto. Com a nova estrutura, a dinâmica de trabalho ganhou em organização e fluxo, superando as limitações do antigo espaço de uso coletivo. Agora, a área é dividida de forma a permitir que diferentes atividades ocorram simultaneamente. Enquanto uma parte do espaço abriga as aulas com as máquinas de costura, o outro lado concentra maquinários específicos, como as bordadeiras industriais.
De acordo com Mariana Heineck, coordenadora do projeto, o novo espaço resolve uma questão logística essencial. O novo ambiente vai permitir que as participantes tenham uma organização melhor e um fluxo contínuo de trabalho. “A importância do projeto se dá pela capacitação e valorização do trabalho feminino, pela geração de renda e a melhora na autoestima dessas mulheres. Tem o lado ambiental também, pois trabalhamos com materiais que seriam descarte, dando nova vida útil a eles”, destaca.
O diretor de projetos da OTROPORTO, Duda Keiber, ressalta que a reforma do prédio 2 foi viabilizada por meio de um esforço conjunto entre os setores público e privado. O investimento reuniu marcas parceiras como Sagres, CMPC, Van Oord e Conexxion Export, além da cooperação institucional da Portos RS. Para Keiber, o impacto do novo espaço se estende a toda a comunidade. "Estes projetos incentivam o fazer cultural, a troca e o convívio entre dezenas de pessoas que têm sua vida cruzada pela costura ou pela vontade de costurar e, com o novo prédio, também ajudaram a ressignificar uma área do porto anteriormente subutilizada".
Impacto social e ambiental
A atuação do Recicle gerou impactos significativos nos últimos dois anos. Em sua primeira edição, realizada em 2025, o projeto capacitou 60 pessoas, divididas em seis turmas cujas vagas se esgotaram na mesma semana do lançamento. Na ocasião, foram confeccionadas 660 ecobags, distribuídas para visitantes e instituições parceiras. Para a segunda edição, em 2026, a meta é alcançar 90 pessoas qualificadas em nove turmas, com a produção estimada em 900 ecobags.
A matéria-prima utilizada nas capacitações provém de uniformes usados descartados por parceiras da Sagres e Rochamar, além da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram). Cada peça doada é transformada em uma nova bolsa. Além disso, o grupo de costura também produz itens para a lojinha da Otroporto, utilizando tecidos doados pela material doado pelo PROANTAR (Programa Antártico Brasileiro) da Marinha do Brasil, que compra a produção diretamente das costureiras, estimulando a economia circular.
Histórias de transformação

Edilaine Dutra gerencia seu próprio ateliê - Foto: Vinícius Peraça
Por trás de cada turma estão histórias de moradoras de diferentes regiões da cidade que encontraram na costura uma nova perspectiva de vida. É o caso de Edilaine Dutra, 57 anos, moradora do bairro Arco-Íris, que ingressou no projeto como aluna em um momento de fragilidade pessoal. Encontrando no grupo acolhimento e empatia, ela desenvolveu suas habilidades a ponto de se tornar uma das oficineiras do Recicle. "O projeto me deu várias 'chaves' para portas que eu não estava conseguindo abrir na minha vida", relata. Hoje, ela gerencia seu próprio ateliê de costura criativa, o @feitoamao.pel, que lhe garantiu autonomia financeira.

Daiane Pereira está cursando Design de Moda no CAVG - Foto: Vinícius Peraça
Outro exemplo é Daiane Pereira. Aos 38 anos, a moradora do bairro Três Vendas é uma das participantes da edição de 2026. Ela conheceu a iniciativa por indicação de uma prima e decidiu se inscrever. “O projeto foi incrível e me abriu um novo horizonte, permitindo que eu saísse um pouco da minha rotina para me aventurar e criar coisas diferentes.”
O aprendizado nas oficinas serviu como ponto de partida para que ela passasse a confeccionar suas próprias bolsas a partir de retalhos. O conhecimento adquirido no projeto, passou a ser divulgado no seu Instagram (@daianepereiraarte). A paixão pela costura despertada no Recicle motivou Daiane a dar um passo adiante: atualmente, está cursando o primeiro semestre de Design de Moda no Campus Pelotas - Visconde da Graça (CaVG). "Sou muito grata a toda a equipe por esse aprendizado, que me serviu como um verdadeiro norte", completa.
Inscrições abertas para novas turmas
Embora as atividades de 2026 estejam em andamento, o Projeto Recicle ainda conta com vagas abertas para a formação de uma nova turma programada para o final do ano. As oficinas são de curta duração, estendendo-se por dois dias (geralmente nas tardes de sexta-feira e manhãs de sábado), e não exigem que o participante tenha qualquer experiência prévia com agulhas ou máquinas de costura.
O processo de seleção é gratuito e prioriza a inclusão social, direcionando suas vagas preferencialmente para mulheres negras, com idade a partir de 40 a 50 anos, residentes em bairros periféricos da cidade.
As inscrições podem ser realizadas por meio do perfil oficial da OTROPORTO no Instagram (@otroporto), onde as datas exatas de início e os detalhes adicionais sobre o cronograma das turmas são atualizados periodicamente.
O projeto é financiado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet, com patrocínio da Sagres Agenciamentos Marítimos, Sagres Operações Portuárias e Rochamar Agência Marítima, e apoio da Patrulha Ambiental da Brigada Militar (Patram).