As taxas de juros das operações de crédito voltaram a ser elevadas em junho de 2015, sendo esta a sexta elevação no ano e a nona elevação consecutiva.
Segundo o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, as elevações podem ser atribuídas aos seguintes fatores:
- Cenário econômico que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência. Este cenário se baseia no fato dos índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores reduzirem a renda das famílias. Agregado a isto o baixo crescimento econômico, o que deve promover no crescimento dos índices de desemprego. Tudo isto somado e o fato de que as expectativas para 2015 serem igualmente negativas quanto a todos estes fatores leva as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência;
- Elevação da Taxa Básica de Juros (Selic) promovida pelo Banco Central em sua última reunião do COPOM, realizada em 03/06/2015;
- Elevação da carga tributária para o sistema financeiro no pacote fiscal que elevou a CSLL (Contribuição Social sobre o lucro líquido) de 15% para 20%, elevando assim a cunha fiscal das instituições financeiras que inevitavelmente se refletirá no repasse para as taxas de juros das operações de crédito;
- Expectativa de novas elevações da taxa básica de juros (Selic) frente a um cenário de elevação nos índices de inflação.
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CENÁRIO econômico aumenta riscos de inadimplência[/caption]PESSOA FÍSICA
Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras).
A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,07 ponto percentual no mês (1,75 pontos percentuais no ano) correspondente a uma elevação de 1,02% no mês (1,43% em doze meses) passando a mesma de 6,87% ao mês (121,96% ao ano) em maio/2015 para 6,94% ao mês (123,71% ao ano) em junho/2015 sendo esta a maior taxa de juros desde novembro/2009.
PESSOA JURÍDICA
Das três linhas de crédito pesquisadas, todas foram elevadas no mês. A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma elevação de 0,03 ponto percentual no mês (0,56 ponto percentual em doze meses) correspondente a uma elevação de 0,75% no mês (0,93% em doze meses) passando a mesma de 4,00% ao mês (60,10% ao ano) em maio/2015 para 4,03% ao mês (60,66% ao ano) em junho/2015 sendo esta a maior taxa de juros desde julho/2011.
TAXA DE JUROS X SELIC
Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde março/2013, tivemos neste período (março/2013 a junho/2015) uma elevação da Selic de 6,50 pontos percentuais (elevação de 89,66%) de 7,25% ao ano em janeiro/2013 para 13,75% ao ano em junho/2015.
Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 35,74 pontos percentuais (elevação de 40,63%) de 87,97% ao ano em março/2013 para 123,71% ao ano em junho/2015.
Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma elevação de 17,08 pontos percentuais (elevação de 39,19%) de 43,58% ao ano em março/2013 para 60,66% ao ano em junho/2015.
PERSPECTIVAS PARA OS PRÓXIMOS MESES
Tendo em vista o cenário econômico atual que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência bem como as prováveis novas elevações da taxa básica de juros frente a uma inflação mais elevada a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevada nos próximos meses.