Por Edson Brozoza, presidente do Asilo Padre Cacique


No dia 1º de outubro, o Brasil celebra o Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa. A data chama a atenção para uma responsabilidade que existe durante todo o ano: garantir respeito, proteção e condições dignas de vida para quem envelhece.


Minha relação com o Asilo Padre Cacique começou há 28 anos, na festa do centenário da instituição. Vim a convite do saudoso jornalista Armindo Antônio Ranzolin. Na semana seguinte, ele telefonou e perguntou se eu poderia receber um doador, pois o presidente da época não estava em Porto Alegre.


Aceitei e trouxe comigo meu filho, que tinha dois ou três anos. Expliquei que visitaríamos uma casa onde viviam muitos vovôs e vovós que precisavam da nossa ajuda. Quando chegamos, as doações já estavam sendo descarregadas. Meu filho, Adônis Brozoza, que mais tarde aos 18 anos de idade veio a se tornar Conselheiro do Asilo Padre Cacique, colocou a mão no bolso, retirou uma moeda e a entregou para ajudar. Era um gesto pequeno, feito por uma criança, mas que marcou a minha vida.


Comecei como voluntário, passei por diferentes cargos e assumi a presidência em diversas ocasiões. Nesse período, aprendi que o trabalho no Asilo é uma missão. Quando entro aqui, procuro deixar as preocupações do lado de fora e dedicar toda a atenção aos moradores. Quando me perguntam como estou, respondo: perto de vocês, estou sempre bem.


A pessoa idosa não perde direitos porque envelheceu. Ela precisa ter acesso à saúde, alimentação adequada, moradia segura, convivência, escuta e participação nas decisões sobre a própria vida. Cabe à família, à sociedade e ao poder público assegurar essas condições.


No Asilo Padre Cacique, cada morador chega com uma história que precisa ser conhecida e respeitada. O cuidado diário envolve profissionais, voluntários, dirigentes, parceiros e doadores. São muitas pessoas responsáveis por manter a alimentação, os atendimentos de saúde, as atividades e os espaços de convivência.


Há um ensinamento antigo segundo o qual é dando que se recebe. Depois de 28 anos, posso dizer que recebi muito mais do que ofereci. Os sorrisos, os abraços e o carinho dos moradores confirmam isso todos os dias.


Neste 1º de outubro, devemos olhar para as pessoas idosas como cidadãos com direitos, vontade própria, memória e muito a ensinar. Respeitar quem envelheceu é reconhecer a história de quem ajudou a formar nossas famílias, nossas comunidades e o nosso país.


Edson Brozoza


Presidente do Asilo Padre Cacique