As taxas de juros das operações de crédito voltaram a ser elevadas em maio/2015, sendo esta a quinta elevação no ano e oitava elevação consecutiva.


Para o coordenador da pesquisa e diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) Miguel José Ribeiro de Oliveira, estas elevações podem ser atribuídas aos seguintes fatores:

  • Cenário econômico que aumenta o risco do crescimento nos índices de inadimplência. Este cenário se baseia no fato de os índices de inflação mais elevados, aumento de impostos e juros maiores reduzirem a renda das famílias. Agregado ao baixo crescimento econômico, deve promover crescimento dos índices de desemprego. Tudo isto somado e o fato de que as expectativas para 2015 serem igualmente negativas quanto a todos estes fatores leva as instituições financeiras a aumentarem suas taxas de juros para compensar prováveis perdas com a elevação da inadimplência;



  • Elevação da carga tributária para o sistema financeiro no pacote fiscal que elevou a CSLL (Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido) de 15% para 20%, elevando assim a cunha fiscal das instituições financeiras que inevitavelmente se refletirá no repasse para as taxas de juros das operações de crédito;



  • Expectativa de novas elevações da taxa básica de juros (Selic) frente a um cenário de elevação nos índices de inflação.


 

[caption id="attachment_39182" align="alignleft" width="300"]BOLSO vazio com aumento de juros BOLSO vazio com aumento de juros[/caption]

PESSOA FÍSICA

Das seis linhas de crédito pesquisadas, todas tiveram suas taxas de juros elevadas no mês (juros do comércio, cartão de crédito rotativo, cheque especial, CDC-bancos-financiamento de veículos, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras).

A taxa de juros média geral para pessoa física apresentou uma elevação de 0,10 ponto percentual no mês (2,48 pontos percentuais no ano) correspondente a uma elevação de 1,48% no mês (2,08% em doze meses) passando a mesma de 6,77% ao mês (119,48% ao ano) em abril/2015 para 6,87% ao mês (121,96% ao ano) em maio/2015 sendo esta a maior taxa de juros desde junho/2010.

PESSOA JURÍDICA

Das três linhas de crédito pesquisadas, todas foram elevadas no mês.

A taxa de juros média geral para pessoa jurídica apresentou uma elevação de 0,03 ponto percentual no mês (0,55 ponto percentual em doze meses) correspondente a uma elevação de 0,76% no mês (0,92% em doze meses) passando a mesma de 3,97% ao mês (59,55% ao ano) em abril/2015 para 4,00% ao mês (60,10% ao ano) em maio/2015 sendo esta a maior taxa de juros desde julho/2011.

TAXA DE JUROS X SELIC

Considerando todas as elevações da taxa básica de juros (Selic) promovidas pelo Banco Central desde março/2013, tivemos neste período (março/2013 a maio/2015) uma elevação da Selic de 6,00 pontos percentuais (elevação de 82,76%) de 7,25% ao ano em janeiro/2013 para 13,25% ao ano em maio/2015.

Neste período a taxa de juros média para pessoa física apresentou uma elevação de 33,99 pontos percentuais (elevação de 38,64%) de 87,97% ao ano em março/2013 para 121,96% ao ano em maio/2015.

Nas operações de crédito para pessoa jurídica houve uma elevação de 16,52 pontos percentuais (elevação de 37,91%) de 43,58% ao ano em março/2013 para 60,10% ao ano em maio/2015.

PERSPECTIVAS PARA OS PRÓXIMOS MESES

Tendo em vista o cenário econômico atual que aumenta o risco de elevação dos índices de inadimplência bem como as prováveis novas elevações da taxa básica de juros frente a uma inflação mais elevada a tendência é de que as taxas de juros das operações de crédito voltem a ser elevadas nos próximos meses.