O velório está sendo realizado na escola de Ballet Diclea Ferreira de Souza (General Osório,1427), em Pelotas, e o sepultamento será no cemitério Santa Tecla, no Capão do Leão, as 17h desta sexta-feira,02
A conselheira-gestora da Fenadoce, Vanisse Krause, destaca que o profissionalismo e a entrega de Juan vão ser sempre um exemplo para todos que passarem pela feira. “Ele deixou um legado para o evento que nunca será esquecido, um profissional que atuava com paixão e dedicação impar. Em nome do conselho, lamentamos muito e manifestamos nosso sentimento a todos os familiares e amigos”, afirma.
Juan e a Fenadoce
Com os seus longos cabelos vermelhos, Juan era uma das almas da Fenadoce. Pelos corredores esbanjava sorrisos misturando o sotaque espanhol com o português, mas levava o trabalho com seriedade: dizia não gostar de ser fotografado, afinal, era alguém dos bastidores e não deveria desviar a atenção das soberanas. De fato, Juan era mais do que o proprietário do salão Stúdio C Cabeleireiros. Ao longo de 18 anos ele cuidou da corte da feira como se fossem suas filhas, virando amigo e conselheiro das soberanas que passaram pelos seus cuidados. Certa vez, ele definiu o vínculo como “familiar”, tamanho o carinho que criou por todas.
O trabalho para o preparo da corte era um verdadeiro laboratório para ele. Analisava a escolha do vestido, as cores, o tema da feira no ano, sempre atento aos detalhes e em busca da harmonia entre as três escolhidas para representar a Fenadoce, transformando penteados, cortes e maquiagens em arte. Acompanhou inúmeras cortes em eventos, viagens e foi a grande mão amiga de todas durante os intensos dias de feira. Simbolicamente, homenagear o cabeleireiro já era tradição para cada corte ao final do seu reinado.Apaixonado pelo trabalho e o vínculo que criou com a Fenadoce, Juan sempre acolheu a todos que chegavam à equipe. Em uma entrevista de 2016 para o site da Fenadoce, mostrou mais do que a sua bondade, mas o respeito por todos que, assim como ele, se dedicam a tornar a feira um grande evento: "Desde a pessoa que varre a feira, quem te recebe na porta, até os lojistas e quem trabalha na alimentação. Todos eles. Somos uma parceria incrível. Criamos uma família que se encontra uma vez por ano, durante vinte dias, mas que depois sente muito a falta um do outro", afirmou.