Encontro está marcado para as 9h, no Palácio Piratini. Governador eleito já sinalizou que pretende preservar programas que apresentam bons resultados e reduzir o número de secretarias
O governador Eduardo Leite e o governador eleito Luciano Zucco terão, na próxima sexta-feira (9), a primeira reunião oficial para dar início à transição de governo no Rio Grande do Sul. O encontro está marcado para as 9h, no Palácio Piratini, em Porto Alegre.
Após a reunião, Leite e Zucco concederão entrevista coletiva à imprensa. Os jornalistas também terão acesso a uma janela para captação de imagens no início do encontro, que depois será realizado a portas fechadas. A agenda foi definida nesta terça-feira (6), em tratativas entre os dois grupos.
A transição ocorre após a eleição de Zucco no primeiro turno, no último domingo (4). O candidato do PL recebeu cerca de 58% dos votos válidos e tomará posse em 6 de janeiro de 2027. Logo após o resultado, Leite conversou com o sucessor e afirmou que pretende conduzir um processo de transição com responsabilidade.
Zucco fala em “virar a página da campanha”
Desde a confirmação da vitória, Zucco tem defendido que o período de transição seja marcado pelo diálogo e pela avaliação das políticas públicas atualmente em execução no Estado.
Em entrevista ao SBT News na segunda-feira (5), o governador eleito afirmou que já havia conversado com Leite e que começaria a convidar os integrantes de sua equipe de transição.
“É momento de união. Agora é virar a página da campanha e começar a pensar no Rio Grande”, afirmou Zucco.
O governador eleito também indicou que não pretende promover mudanças apenas por uma questão política. Segundo ele, programas da atual administração que apresentam resultados deverão ser avaliados e, se considerados eficientes, poderão ser mantidos.
Na segunda-feira, em entrevista à Rádio Gaúcha, Zucco citou especificamente o RS Seguro e o Devolve ICMS entre os programas que pretende preservar. Segundo ele, existem mais de 200 iniciativas em funcionamento no Estado e a equipe de transição deverá analisar os resultados e a relação custo-benefício de cada uma.
“Todos os que estiverem entregando um resultado efetivo, com boa relação de custo-benefício, nós vamos manter”, disse.
Redução de secretarias está entre as mudanças previstas
Ao mesmo tempo em que sinaliza continuidade para programas considerados bem-sucedidos, Zucco pretende promover uma reorganização da estrutura administrativa do governo.
Uma das principais propostas é reduzir o número de secretarias. Atualmente, o Executivo estadual possui 30 pastas. O governador eleito trabalha com a possibilidade de reduzir esse número para algo entre 15 e 20 secretarias, embora ainda não tenha definido quais estruturas poderão ser extintas, fundidas ou incorporadas.
Zucco afirmou que pretende escolher pessoalmente os integrantes do primeiro escalão e adotar critérios técnicos. A ideia, segundo ele, é priorizar pessoas capazes de apresentar resultados, independentemente de filiação partidária.
“Meu critério é a eficiência: se é deputado ou não, se tem partido ou não, o que importa é a entrega de resultados”, afirmou.
Nomes começam a ser definidos
As primeiras articulações para a equipe de transição também já estão em andamento. Entre os nomes cotados para atuar pelo grupo de Zucco estão Cléber Benvegnú, Cezar Schirmer, Leonardo Pascoal e Leandro Sonne, todos próximos ao governador eleito e com participação na campanha ou na elaboração do plano de governo.
Do lado do atual governo, o ex-governador e atual secretário-chefe da Casa Civil, Ranolfo Vieira Júnior, é apontado como provável responsável pela condução da equipe de transição de Leite. A escolha também é favorecida pela relação que Ranolfo mantém com Zucco. Durante o primeiro governo de Leite, ele foi vice-governador e comandou a Secretaria da Segurança Pública, período em que foi responsável pela implementação do programa RS Seguro, atualmente elogiado pelo governador eleito.
Finanças e dívida estarão no centro das discussões
Além da estrutura administrativa, a situação financeira do Estado deverá ocupar espaço importante nas discussões que antecedem a posse.
Zucco já apontou a renegociação da dívida do Rio Grande do Sul com a União como uma das prioridades do futuro governo. O Estado deverá retomar o pagamento da dívida em maio de 2027, após o período de suspensão concedido em razão das enchentes.
O governador eleito também defende a prorrogação do Funrigs, fundo criado para concentrar recursos destinados à recuperação do Estado após os eventos climáticos extremos de 2023 e 2024. A intenção é utilizar os recursos para investimentos e obras de reconstrução e prevenção.
Em entrevista ao Correio do Povo nesta terça-feira (6), Zucco afirmou ainda que a prioridade será criar condições para a retomada do crescimento econômico e citou medidas de prevenção a novos eventos climáticos, como desassoreamento de arroios, dragagem, limpeza de terrenos e construção de áreas alagáveis controladas.
Governo eleito terá de lidar com orçamento de 2027
Outro tema que poderá chegar à mesa da transição é o projeto de orçamento do Estado para 2027. A proposta atualmente em tramitação na Assembleia Legislativa foi elaborada pelo governo Leite, mas será executada pela administração de Zucco.
O projeto prevê receita de R$ 95,13 bilhões e despesas de R$ 99,19 bilhões, resultando em um déficit orçamentário estimado em R$ 4,06 bilhões. A proposta deverá ser votada pelos deputados em novembro.
A transição, portanto, terá não apenas o papel de preparar a mudança administrativa, mas também de permitir que a futura gestão conheça em detalhes a situação financeira, os programas em andamento, os contratos, os projetos de infraestrutura e as demais ações que terão continuidade a partir de janeiro.
A primeira reunião entre Leite e Zucco, na sexta-feira, deverá marcar oficialmente o início desse processo. A expectativa é que, a partir dela, sejam estabelecidos os procedimentos e os canais de interlocução entre as duas equipes até a posse do novo governador, em 6 de janeiro de 2027.