O Conecta MakeRS é um projeto para a implementação de uma rede de laboratórios Maker em 45 escolas no Rio Grande do Sul


A iniciativa reúne o Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e a Universidade Federal do Rio Grande (FURG), com o objetivo de integrar tecnologias de fabricação digital ao ambiente escolar e estimular o protagonismo dos estudantes.



O projeto foi um dos vencedores do programa Mais Ciência na Escola, iniciativa do Governo Federal que busca aproximar a ciência e a tecnologia da educação básica, com um investimento de R$ 100.000,00 por escola, totalizando R$4.5000.000,00. Com o financiamento do programa, as escolas participantes recebem equipamentos, como impressoras 3D, notebooks e kits de robótica educacional, além de uma bolsa para um professor articulador e da alunos do 7º ou 8º ano em cada um dos laboratórios.



No Rio Grande do Sul, a distribuição dos equipamentos contemplou 17 municípios como: Santa Vitória do Palmar, Rio Grande, Pelotas, São José do Norte, São Lourenço do Sul, Canoas, Porto Alegre, Viamão, Glorinha, Santo Antônio da Patrulha, Rolante, Bento Gonçalves, Vacaria, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Sertão e Erechim.

A proposta é incentivar o aprendizado por meio da experimentação, permitindo que os estudantes explorem ferramentas tecnológicas, desenvolvam projetos e transformem ideias em soluções concretas.

De acordo com o coordenador da rede, Serguei Nogueira, os laboratórios foram concebidos para proporcionar experiências de aprendizagem em que os estudantes possam identificar problemas, elaborar projetos e desenvolver soluções de forma prática e colaborativa. A proposta vai além da disponibilização de equipamentos, buscando integrar as tecnologias ao cotidiano escolar e às diferentes áreas do conhecimento.
“A impressão 3D, assim como outras tecnologias, permite materializar objetos e transformar ideias em soluções. O estudante passa pelo planejamento, desenvolve um modelo, testa, avalia e, se necessário, modifica o projeto. Esse processo permite que ele seja protagonista da própria aprendizagem”, destaca o professor.

A impressão 3D é uma das tecnologias utilizadas nas atividades do Conecta MakeRS. O ciclo de criação começa com a identificação de uma necessidade ou problema real, com os alunos passando pela etapa de ideação, onde são propostas e analisadas possíveis soluções. A seguir é iniciado o processo de implementação da solução, com a confecção de um modelo virtual que é constantemente reavaliado. A próxima etapa é a materialização da ideia, onde o arquivo é enviado para a impressora 3D, que transforma o modelo em comandos precisos para a construção da peça plástica. Após a fabricação, a solução é testada, verificando sua eficácia.

A mágica não está na peça pronta, mas no processo de criação, pois mesmo que a solução não resolva o problema, o erro é tratado como parte do processo, sendo realizada uma análise das possíveis melhorias e repetimos todo o ciclo de desenvolvimento. Esse processo permite que os estudantes vivenciem as diferentes etapas do desenvolvimento de um produto, desde a concepção da ideia até sua materialização, estimulando a criatividade, a experimentação, a crença de autoeficácia e a resolução de problemas.

O coordenador ressalta, entretanto, a riqueza de possibilidades da integração da fabricação digital com técnicas de fabricação manuais, marcenaria, pintura, música, vídeos, eletrônica, dentre vários outros recursos analógicas também têm papel importante no desenvolvimento de projetos, e a escolha dos recursos depende dos materiais disponíveis, do tempo e das características de cada desafio. A combinação entre diferentes ferramentas permite ampliar as possibilidades de criação e resolução de problemas.
“Muitas técnicas já utilizadas nas escolas já estão dentro da cultura maker e a fabricação digital vem agregar aos alunos o letramento digital, mas acredito que a principal contribuição do projeto é incentivar a utilização de metodologias ativas como aprendizagem baseada em problema ou aprendizagem baseada em projetos, independente da tecnologia utilizada”.



A formação dos professores é outro eixo estratégico do Conecta Makers. A capacitação está organizada em duas dimensões complementares: o domínio técnico dos equipamentos e a aplicação das tecnologias em práticas pedagógicas. Na primeira etapa, os educadores aprendem sobre modelagem tridimensional, preparação de arquivos, funcionamento das impressoras e características dos materiais utilizados.

A próxima etapa da capacitação prevê o aprofundamento das metodologias pedagógicas e a criação de recursos educacionais abertos. O objetivo é transformar os equipamentos em ferramentas de aprendizagem, com atividades que estimulem a criatividade, a experimentação e a construção do conhecimento. A proposta se inspira no construcionismo de Seymour Papert e nos princípios da aprendizagem criativa.

Além da capacitação, o projeto busca ampliar a participação dos laboratórios na rotina das escolas, incentivando atividades interdisciplinares, feiras de ciências, encontros e visitas.

A intenção é envolver professores de diferentes áreas, evitando que os espaços fiquem restritos a uma única disciplina ou a um grupo específico de estudantes.

A continuidade da iniciativa depende do fortalecimento das parcerias entre escolas, instituições de ensino superior e administrações municipais. Entre os desafios estão: a manutenção da carga horária dos professores responsáveis pelos laboratórios, a continuidade das bolsas estudantis e a captação de recursos para custear a operação e a manutenção dos equipamentos.

 

SERVIÇO


Quem: Conecta Makers

O quê: Implantação de 45 laboratórios maker em escolas públicas

Onde: Escolas públicas de 17 municípios do Rio Grande do Sul

Como: Uma iniciativa financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq)

Contato: marte.conteudo@gmail.com