“Verity”: páginas de mistério e suspense




Conhecida por seus romances dramáticos de enorme sucesso de público, como a adaptação de É Assim Que Acaba, a escritora Colleen Hoover aventurou-se pelo suspense doméstico em uma trama sobre os limites entre a verdade e a ficção. Em sua versão cinematográfica, a história acompanha Lowen Ashleigh (Dakota Johnson), uma autora pouco conhecida contratada para atuar como ghostwriter da romancista best-seller Verity Crawford (Anne Hathaway), que ficou paralítica e catatônica após um grave acidente de carro. Hospedada na fabulosa e isolada casa da família, Lowen vasculha os arquivos da autora e encontra um manuscrito secreto mantido em um pen drive. Trata-se de um relato perturbador em primeira pessoa sobre amor, sexo, casamento e maternidade, que culmina em uma confissão assustadora. À medida que avança na leitura, Lowen fica chocada com o texto, mas se vê cada vez mais fascinada pelo estilo de vida da colega e por seu marido, Jeremy (Josh Hartnett).

O filme se apoia fortemente no apelo estético e no carisma de seu trio protagonista, apresentando atuações bem ajustadas às exigências da trama. Josh Hartnett compõe a figura do homem simpático carregado por um toque de melancolia, enquanto Dakota Johnson atinge a medida certa de perturbação e vulnerabilidade. Já Anne Hathaway, vista principalmente através de vídeos online e flashbacks, surge bela e enigmática. Chama a atenção a produtividade impressionante e a presença quase constante de Hathaway nas telas nos últimos anos. Emendando um projeto atrás do outro e transitando com facilidade entre comédias românticas, dramas intensos e suspenses comerciais, a atriz tornou-se uma das figuras mais prolíficas e requisitadas de Hollywood, e sua força cênica serve aqui como um dos principais destaques da produção.



Do ponto de vista visual, a direção de Michael Showalter busca estabelecer um clima constante de paranoia. A arquitetura imponente e os ângulos bizarros da casa, impecavelmente decorada, projetam-se de forma ameaçadora contra a vasta paisagem nevada que a cerca, estabelecendo um interessante contraste entre a sombra absoluta do interior e a penumbra externa. Esse tipo de construção espacial remete a traços narrativos que lembram o cinema de Brian De Palma, sem a pretensão de se igualar ao estilo do diretor, mas utilizando recursos semelhantes para cultivar a dúvida sobre o que é real ou fruto da imaginação.



Apesar de construir boas atmosferas e evitar o tédio na maior parte do tempo, a obra funciona muito melhor em momentos isolados do que no seu conjunto. A promessa de entregar um suspense envolvente e com grande apelo erótico acaba funcionando mais na teoria do que na prática. Trata-se de uma história essencialmente clichê e banal, que dependia de uma condução criativa para se destacar. No entanto, o roteiro preguiçoso e a direção pouco inspirada comprometem o resultado final, fazendo com que o filme dependa quase exclusivamente do empenho de seu elenco para se manter de pé.

Jorge Ghiorzi


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