Volume é superior ao previsto para todo o mês de agosto


A chuva acumulada no município entre o domingo (16) e esta terça-feira (18), às 12h, chegou a 152 milímetros, conforme pluviômetro do Departamento de Drenagem Urbana do Sanep, localizado no bairro Fragata. O volume supera a média de 120 a 125 milímetros, prevista para todo o mês de agosto. Equipes da Prefeitura e da autarquia mantêm mobilização e acompanhamento constante dos níveis dos mananciais para diminuir os impactos do temporal à população.

Conforme medição realizada às 8h desta terça, o canal São Gonçalo está em 1,60 metro. O nível, ainda longe dos 3,13 metros atingidos na enchente de 2024, é acompanhado ininterruptamente pela Secretaria de Proteção e Defesa Civil. “O monitoramento é constante. Neste momento, consideramos que a cidade está suportando bem, com atuações integradas entre as equipes de macro e microdrenagem. Claro que temos situações pontuais, geradas, principalmente pela persistência das chuvas, que dificulta a continuidade do trabalho de manutenção nos pontos críticos”, avalia o titular da pasta, Milton Martins.

A previsão, alinhada com o Centro de Pesquisas e Previsões Meteorológicas (CPPMet/UFPel) e o Centro Interinstitucional de Eventos Extremos (Ciex/Furg), aponta a manutenção do tempo instável, com possibilidade de chuvas entre 60 e 80 milímetros até a próxima quinta-feira (20). O Sanep opera as estações de bombeamento e assegura o pleno funcionamento das sete unidades: Anglo, Castilho, Doquinhas, Farroupilha, Leste, Olvebra e Pontal da Barra.

Atendimento integral das ocorrências


A Prefeitura atende de forma contínua as demandas geradas pela intensidade dos ventos, alto volume de precipitação e queda de granizo, desde o ciclone extratropical que impactou o município na primeira semana de agosto. Foram mais de mil atendimentos, com entrega de aproximadamente quatro mil telhas e mais de quatro quilômetros de lonas, retiradas de árvores caídas, mapeamento e intervenções em pontos de acúmulos de água. Pelotas está em situação de emergência, decretada com objetivo de agilizar as ações de recuperação da cidade causadas por eventos climáticos extremos. A Secretaria de Assistência Social (Sas) possui espaços organizados para alojar desabrigados na Casa de Passagem, em caso de necessidade.

A população pode registrar ocorrências pelo contato da Secretaria de Proteção e Defesa Civil, pelo (53) 99700-7575. Devido à alta demanda, é preferível o contato via WhatsApp. Todas as situações encaminhadas por mensagem serão atendidas.

Marroni assina o quarto documento motivado por eventos climáticos extremos no município em oito meses


Pelotas está em situação de emergência pela quarta vez em oito meses pelo mesmo motivo: evento climático extremo, ainda que de natureza distinta. Desta vez o decreto de emergência nível II 7.231 assinado pelo prefeito Fernando Marroni é fundamentado pelas chuvas intensas que atingiram o município, com direito a rajadas de mais de 60 quilômetros por hora e ocorrência de granizo a partir das 4h desta segunda-feira (17). Assim como nas ocasiões anteriores, não há feridos nem desabrigados.

Assim como no ciclone de dezembro do ano passado, a zona rural foi a região mais castigada pela chuva, o que levou o prefeito a se reunir extraordinariamente com o secretário de Desenvolvimento Rural Antônio Leonel, diretores da pasta e administradores dos distritos.

“Há regiões ilhadas pelas águas dos arroios, que chegaram a cobrir pontes e forçaram a interrupção do tráfego, não tivemos escolas nem postos de saúde funcionando, é necessário aguardar que a água baixe para fazer um levantamento completo dos danos que o temporal provocou na região”, explicou o chefe do Executivo.

Ele lembra que após o ciclone de dezembro passado, equipes da Prefeitura desassorearam o arroio Quilombo, na região do Grupelli. A situação de assoreamento se repetiu na enxurrada seguinte e agora novamente, comprometendo o posto de saúde da localidade e o comércio local, além das condições de trafegabilidade. O prefeito alertou ainda que as comunidades isoladas na região precisam manter cautela mesmo após as águas baixarem. Conforme ele, será necessário checar as condições das cabeceiras das pontes, que certamente precisarão de serviços de manutenção. Apesar do reconhecimento à condição da zona rural, o decreto contempla todo o território do município.

Além das chuvas, o documento considera outros fatores para este novo decreto que declara situação de emergência. Entre eles, a previsão de continuidade de precipitações intensas nos próximos dias, as condições hidrológicas, a mobilização permanente para atendimento de ocorrências, a existência de danos e prejuízos e a realização de ações emergenciais em resposta, bem como a necessidade de adoção de medidas administrativas excepcionais.

O decreto tem eficácia de 180 dias e concede à Prefeitura, sem prejuízo da Lei de Responsabilidade Fiscal, o direito de dispensar licitações para aquisição de bens necessários no atendimento da situação de emergência ou do estado de calamidade pública. As prerrogativas têm base na legislação federal por meio da lei 14.133, de 1º de abril de 2021.

Além do ciclone de dezembro e das chuvas intensas desta segunda-feira, o município já decretou situação de emergência em razão de um tornado, em fevereiro, e do ciclone extratropical que provocou chuvas e destelhamentos há 11 dias.